Emma entrevista J.K.Rowling

Como editora da mais recente edição da revista Wonderland, a Emma teve a oportunidade de entrevistar a J.K.Rowling. Foi nesta entrevista que a escritora confessou aquilo que tem gerado discussão nos últimos dias: Hermione deveria ter ficado com Harry. Lê abaixo a tradução da entrevista.

Jo Rowling escreveu Harry Potter, a série de livros mais vendida na história, no entanto ela ainda consegue ser divertida, querida, quente e verdadeira. Ela passa a maior parte do seu tempo a apoiar instituições de caridade tais como Comic Relief, Multiple Sclerosis Research através da Anne Rowling Regenerative Neurology Clinic e da sua própria instituição de crianças Lumos… Mais recentemente escreveu os romances The Casual Vacancy e The Cuckoo’s Calling (um romance policial sob o pseudónimo Robert Galbraith).

[…]

W: Também anunciou que iria colaborar numa produção de teatro.

JKR: Sim foi uma ideia muito interessante que a Sonia Friedman teve. Durante muito tempo tenho sido resistente em relação a produções de teatro. Algumas pessoas queriam fazer um musical de Harry Potter. Eu realmente não via Harry como um musical por isso disse não a tudo, mas a Sonia veio com uma ideia muito bem pensada e interessante. Eu estou muito entusiasmada.

Hermione vai estar lá?!

Bem Emma se te estás a oferecer para fazer de Hermione… [ambas riem] Eu digo-te aquilo que realmente quero. Eu quero-te a ti, ao Dan e ao Rupert com uma maquilhagem pesada no fundo de uma cena em Fantastic Beasts, e eu irei juntar-me a vocês e iremos sentar-nos num bar a rirmo-nos durante uma tarde. Não achas que seria fantástico?

Isso parece-me a coisa mais divertida que eu possa imaginar!

E nós podemo-nos mexer como extras no último plano.

E depois podemos ver se alguém nos reconhece. Eu pessoalmente gostaria de estar no meio, apenas para garantir que ninguém me reconhecia mesmo.

QUE GÉNIO!

[…]

Eu pensei que poderiamos discutir sobre Hermione… Tenho a certeza que já ouviu isto um milhão de vezes mas agora que já escreveu os livros, tem uma nova perspetiva em como se relaciona com Hermione e a relação que tem com ela ou teve com ela?

Eu sei que a Hermione é incrivelmente reconhecida por um monte de leitores e mesmo assim eu não vejo muitas Hermiones em filmes ou em TV exceto para serem gozadas. O que eu quero dizer é que a rapariga intensa, inteligente, em algumas maneiras não auto-reconhecida, raramente é a heroína e eu queria realmente que ela fosse a heroína. Ela é parte de mim, embora não seja a totalidade de mim. Eu acho que era assim que eu deveria parecer para as pessoas quando era mais nova, mas não é assim que eu era interiormente.

O que eu direi é que eu escrevi a relação Hermione/Ron como uma forma de realizar um desejo. Foi assim que foi concebido, na realidade. Por razões que têm pouco a ver com literatura e muito mais a ver comigo agarrada à história que eu imaginei ao início, Hermione com Ron.

Ah.

Eu sei, peço desculpa, eu percebo a raiva e fúria que isto possa causar a alguns fãs, mas se eu for absolutamente honesta, a distância deu-me uma perspetiva sobre isso. Foi uma escolha que eu fiz por razões muito pessoais, não por razões de credibilidade. Estou a partir corações ao dizer isto? Espero que não.

Não sei. Eu acho que há fãs por aí que sabem isso também e que se perguntam se realmente Ron conseguiria fazê-la feliz.

Sim exatamente.

E vice versa.

Era uma relação jovem. Eu acho que a atração em si é plausível mas o lado de combate disso… Não tenho a certeza se se conseguiria ultrapassar isso numa relação adulta, havia muita incompatibilidade. Eu não acredito que estamos a dizer tudo isto – isto é heresia!

Eu sei, é heresia.

De algumas formas Hermione e Harry ajustam-se melhor e eu digo-te algo muito estranho. Quando eu escrevi Hallows, senti algo muito forte quando tinha Hermione e Harry juntos na tenda! Eu não contei ao [Steve] Kloves isso mas quando escrevi o guião eu senti exatamente o mesmo exatamente no mesmo ponto.

Isto é tão interessante porque quando eu estava a fazer a cena eu disse ao David [Heyman]: “Isto não está no livro, ela não escreveu isto”. Não tenho a certeza se estou confortável a insinuar algo por mais subtil que seja!

Sim, mas David e Steve – eles sentiram o que eu senti ao escrevê-lo.

Isto é tão estranho.

E na verdade eu gostei da cena no filme, porque estava a articular algo que eu não disse mas senti. Eu gostei mesmo e pensei que era o certo. Acho que se sente o fantasma daquilo que poderia haver naquela cena.

É uma cena realmente assombrosa. É engraçado porque dividiu as pessoas. Algumas pessoas adoraram a cena e outras não gostaram mesmo.

Sim, algumas pessoas odiaram absolutamente. Mas isso é verdade em tantas cenas boas em livros e filmes; evocam um sentimento positivo/negativo muito forte. Eu senti-me bem com aquilo, gostei.

Eu lembro-me que realmente adorei gravar aquelas cenas que não tinham muito diálogo, onde apenas se estava a tentar expressar um momento no tempo e um sentimento sem dizer nada. Era apenas Dan e eu espontaneamente a tentar transmitir uma ideia e foi muito divertido.

E conseguiste fazê-lo na perfeição, conseguiste perfeitamente a mistura de constrangimento e emoção genuína, porque oscila no ponto de “o que estás a fazer? Oh vá lá vamos fazê-lo na mesma”, e que eu acho que era o certo para aquele momento.

Eu acho que foi apenas no sentido que naquele momento eles precisavam de estar juntos e ser crianças e levantar a moral um do outro.

É mesmo isso, estás certa. Tudo isto diz algo muito poderoso também sobre a personagem Hermione. Hermione foi aquela que esteve presa com Harry todo o caminho até à última etapa, naquela última parte da aventura. Não foi Ron, o que também diz algo muito poderoso sobre Ron. Ele estava magoado, na sua autoestima, desde o início da série. Ele sempre soube que passou de segundo a quarto melhor, e depois teve de se tornar amigo do herói de tudo e que é uma posição infernal para estar, eternamente ‘ofuscado’. Então Ron tinha de agir daquela maneira nalguma altura.

Mas a Hermione esteve sempre lá para Harry. Eu lembro-me de me enviares um bilhete depois de leres Hallows e antes de começares a gravar, e dizia algo sobre isso, porque no final era tanto a jornada de Hermione como de Harry.

Eu concordo completamente e o facto de eles serem verdadeiramente iguais e o facto de ela ter dito adeus à sua família fê-lo ser o seu sacrifício também.

Sim, o seu sacrifício foi enorme, completamente. Um ato de bravura muito calculado. Aquilo não foi só um ato de bravura ‘do momento’ onde a emoção te leva, aquilo foi uma escolha deliberada.

Exatamente.

Eu amo Hermione.

Eu também a amo.

Oh, talvez ela e Ron fiquem bem depois de um pouco de aconselhamento. Pergunto-me o que acontece num aconselhamento matrimonial de feiticeiros. Ficarão bem provavelmente. Ele tem de trabalhar nos seus problemas de autoestima e ela precisa de trabalhar em ser um pouco menos crítica.

Acho que faz sentido para mim que Ron faça amizade com o feiticeiro mais famoso na escola porque acho que a vida nos dá frequentemente o maior e mais doloroso medo – até o ultrapassarmos. Isso apenas continua a vir.

Isso é tão verdade, já aconteceu na minha própria vida. A questão continua a vir ao de cima porque estamos tão ligados a isso que nos colocamos frente a frente à situação o tempo todo. Até que num certo ponto temos de escolher o que fazer quanto a isso e às vezes ultrapassar é escolher dizer: não quero mais isto, vou parar de andar até ti porque não há nada para mim aí. Mas sim, estás certa, isso é muito perspicaz! Ron está habituado a tocar o segundo violino. Eu acho que é um papel confortável para ele, mas chega a um certo ponto que ele tem de ser o seu próprio homem, não é?

Sim e até o fazer, isso não está resolvido. É uma questão inacabada. Então talvez a vida lhe apresente isto vezes suficientes até que ele toma uma decisão e se torne o homem que a Hermione precisa.

Tal como a sua criadora, ela tem um fraquinho por homens divertidos. Estas raparigas tensas, gostam deles divertidos.

Elas gostam deles divertidos, elas precisam deles divertidos.

É um alívio ser-se tão intenso – precisarmos de alguém que leve vida, ou pareça que leve vida, um pouco mais luminosa.

É definitivamente muito importante.

Muito obrigada por fazer isto.

Tradução feita por WatsonFans.Com

Fonte

9/Fev/2014 Daniela Godinho 0 comentários

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